sexta-feira, 31 de maio de 2013

Não importa a Pedra imponente

Quando o seu final chegar, não mais interessará que tenha lido e conhecido as mais eruditas obras literárias de todos os tempos, que tenha tido o carro do ano, que tenha aprendido a distinguir a qualidade dos vinhos.

Também não interessará o contrário: Que tenha sentido o cheiro da grama ou da terra molhada, tido a ousadia de atravessar e desafiar um solo quente descalço por preguiça, ou jogado pedrinhas no lago fazendo-a quicar por mais de três vezes.

De nada importará também ter discordado ou não de que isto é o contrário daquilo.

Não importará se tatuou em sua carne o nome ou face de uma celebridade cuja recíproca dificilmente será verdadeira. Também nada importará se você julgou com arrogância e ironia e considerou intelectualmente desfavorecido quem o fez. Não importará que você tenha feito uma tatuagem que considerava bela de bom gosto nas suas costas, nem que o significado seja personalizado e intransferível. É necessário mencionar que também não terá interessado quem tenha gostado de sua tatuagem e se aproximado de ti por conta dela.

Não importará, após a sua partida, que você tenha reparado em vida que no meio daquele mar existe uma pedra enorme e imponente que está ali imóvel há centenas de anos enquanto os humanos envelhecem e sucumbem, que naquela pedra pode ser visível a olho nu no máximo uma sucinta alteração de cor que um novo lodo promoveu. Não interessará saber que subir naquela pedra do lado da outra, pode ser perigoso e que uma pessoa nas férias em família do verão de 1993 escorregou naquele limo, bateu com o crânio e morreu tendo seus miolos fritos como um ovo pelo sol que tão rigoroso estava naquela fatídica lendária tarde. Não importa que as palavras "fatídica" e "lendária" ligadas tenham causado uma impressão esquisita, definir se é errado ou poético e nem saber se a tarde foi fatídica, lendária, ou de fato, as duas coisas. Não importa a gramática portuguesa e seus jogos, muito menos a russa.

Não importará que tenha preferido não apertar as mãos olhando no olho, tampouco que o tenha feito rigorosamente em todos os cumprimentos passando o máximo de segurança e boas impressões.

Não importará após o fim que tenha morrido com 7 anos ou que tenha entrado no livro dos recordes como o humano do qual se tem notícia que mais viveu. A única diferença entre os ossos de um velho e os de um jovem serão o tempo que levarão para ser decomposto: é de se imaginar que um osso com osteoporose esfarele mais rápido.

Não interessa se você prefere o sol ou a lua, a praia ou a montanha, o herói ou o vilão, a marra ou a manha.

Não importa que você tenha lido até aqui, e se leu, não importa se você é do grupo dos pessimistas que leva um golpe na boca do estômago ao lembrar que nada importa, ou dos otimistas, que por nada ser nada, cada vez julgam menos os outros e se preocupam apenas em acreditar em alguma coisa dentre tudo o que não tem importância para fantasiar serem as coisas mais importantes do mundo e ser feliz.

Simplesmente porque não se "importam" nem "exportam" sensações. Eles nascem, e morrem, Sempre minuciosamente autênticas, assim como nós.

Só interessa o que interessar e o máximo que pode-se fazer é ser fiel ao que é interessante para si, enquanto é tempo.

E só importa o que importar, enquanto importar...

3 comentários:

Marcele disse...

Camilo, eu estou falando sério... Procure ajuda! Em 7 meses você mudou do vinho tinto para o vinho branco. Rsrs sei que você vai entender! Fica a dica. Obs: Te amo e adorei seu texto.

Nicole Francis disse...

Texto muito bom, envolvente, e instigador, amore.

Rodrigo Bortolini disse...

[FMP]Camelãoooooooo, saudadesssss lindo....
Que texto idiota,imbecil...doentio hahah

Digitei no google: "Texto idiota, digitado por um imbecil" e cai aqui. auhahuahuahu
Na verdade primeiro caiu em um texto do Betucha, e depois, veio para cá hahaha


Bjos gatinho