segunda-feira, 11 de março de 2013

Uma tal de felicidade

Definir felicidade não é fácil, ainda mais quando se trata de uma tarefa a ser feita na vida adulta. Na infância, quando somos capazes de definir felicidade, não entendemos muito bem o que é definir e qual a necessidade disso. Quando chega o momento em que começamos a demandar as mil definições e finalmente a ver qualquer alguma utilidade, é justamente quando não poderemos mais fazer.

Sabemos que o comecinho da vida é o ápice, simplesmente por não pararmos para pensar no futuro, não darmos a devida atenção que o tempo merece (ops, NÃO, não merece) e valorizarmos ao extremo todos os prazeres executáveis em curto prazo, como por exemplo brincar de "Queimado" ou "Amarelinha" (hoje já quase extintas: favor aplicar as devidas adaptações trazidas pela tecnologia).  Lá pelos 18, 19, com sorte 20, começa o nosso perecer, nosso processo de decrepitude  senilidade, degeneração ou simplesmente, marcha rumo à morte: Os fios brancos surgem, pouco a pouco, a pele vai perdendo a elasticidade, a disposição diminuindo, os assuntos médicos aumentando, e quando vemos, quase que na velocidade da luz: Pluft, estaremos temerosos não mais só ao atravessar ruas ou com as correntezas e os perigos do mar, violência, mas também com as mortes naturais. É onde começam a surgir em maior frequência frases como: "Se eu viver até lá" ou "Pena que não vou poder ver". 

Obviamente é o tempo o grande, senão o único vilão da felicidade, pois, além de ser o maestro na orquestra do envelhecimento, é ele também quem dá os golpes que nos amarguram, calejam e na melhor das hipóteses, nos apatizam.

Sendo assim, a única forma de ser feliz parece ser retornando à infância. Infelizmente não é possível fazer esse retorno de forma legítima: Não que os joelhos serelepes e os olhos brilhantes sejam fundamentais, mas a sabedoria, totalmente dispensável e por azar, não podemos abandoná-la em um baú e equiparmos quando for conveniente.

"Quanto maior é a sua sabedoria mais os homens se afastam da felicidade", disse Erasmo de Roterdão e tantos outros com palavras levemente divergentes. Talvez seja por isso que, mesmo sem saber, sempre tive uma certa resistência em achar bonito (ok, acho um porre) crianças superdotadas, crianças-adultas ou simplesmente que se levem muito à serio. Que droga, seria o único momento para terem a plena tal de felicidade, e elas cismam de parecer mais maduras, mesmo que as vezes por simulação, enquanto eu vou usando a mesma simulação para tentar voltar a ser criança.

Os seres que recebem meu sorriso de canto de rosto mais desprezivo são aqueles que criticam um adulto que faz tentativas de viagem a uma realidade regressa. Alguns adultos acham que isso é um problema, que as brincadeiras infantis são antagonistas da maturidade e habilidade para lidar com a vida adulta, quando na verdade, me parece justamente o contrário: O sucesso na vida adulta consiste fundamentalmente em entender que tudo não passa de uma brincadeira praticada pela própria vida conosco.
A grande pegadinha de finalmente conseguir construir um legado e ter que partir, ou também, não conseguir construir, e partir antes disto é algo um tanto quanto...  de qualquer forma o final é irônico.

Eu sei, nunca vou conseguir voltar a ser criança, mas eu posso ao menos brincar de ser, e há quem diga que "toda brincadeira tem um fundo de verdade", então, enquanto eu estiver brincando, eu sou criança, logo, sou FELIZ, e pobre de quem vê isso como uma coisa ruim pois sequer a tentar estará apto estando fadado(a) a sair da vida como um mal perdedor.