quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O que está escondido por detrás da virgindade (E Não falo sobre o útero)

Virgindade x Machismo (Entenda-se insegurança masculina)

A virgindade feminina no passado era um tesouro, e hoje ainda há quem ache isso. Mas afinal de contas, o que está por trás desse valor que sempre esteve presente em diversas culturas, tendo em muitas, enorme força até hoje?

Será que os homens consideram a virgindade apenas um valor cultural, e um ''selinho'' que vale como um pequeno prêmio? Talvez não!
Para os homens, a virgindade é, e sempre foi a certeza de que ninguém possuiu aquela mulher. Mas o que isso quer dizer? Afinal de contas, que importância tem isso pra esses caras?

A virgindade é, para os inseguros, a garantia de que ele sempre será o melhor para toda a vida da companheira. Casar com uma virgem é assegurar que, pelo menos uma mulher na vida, vai te achar o melhor amante do mundo, já que foi o único em toda a existência dela. (Para os otimistas, hahahaha)

A competitividade masculina com nesse aspecto vai muito além da performance sexual. Logo de cara há um fácil fator de comparação e fácil percepção: O tamanho. A esposa/namorada não poderia imaginar, em hipótese alguma que existisse no mundo uma ''ferramenta de trabalho'' maior que a de seu companheiro. Isto é a base para todas as desambiguações relativas a esse assunto, embora esteja implícito.

Por que os impactos sofridos por um homem quando descobre que foi traído, são diferentes ao impacto sofrido pelas mulheres?
Os homens, geralmente, não conseguem enxergar as coisas pelo lado emocional: Para eles se a mulher procurou outro homem, é porque está ''faltando'' alguma coisa no sexo, e aí já era, não dá pra resolver: Na concepção deles, agora ela já sentiu o gostinho e descobriu que, no sexo, o companheiro não é um herói.
Já para as mulheres, o sexo é apenas um entre os diversos fatores que podem levar à traição: Há também os problemas de ordem afetiva, de horário, e afins. Portanto, elas são mais compreensivas e tendem a achar que os problemas que levaram o parceiro a trair podem ter sim uma solução.

Em casos raros, onde o homem considera como fator fundamental para a traição outra coisa que não o Sexo, ele ainda assim dificilmente perdoa simplesmente porque
a cultura colabora para que o impacto em “cornos” do sexo masculino sejam maiores: Homens traídos não dão conta do recado, mulheres traídas simplesmente são mulheres traídas. Além dos homens traídos se condenarem por si próprios, são condenados também pela cultura, que humilha, massacra, ridiculariza, por alguém ter possuído sua esposa.
Portanto, diante de tudo isso, se um homem traído perdoa a companheira é extremamente seguro de si, e não segue à risca a sociedade, ou seja, provavelmente não contribuiu para a criação de todos esses conceitos de coerência muito duvidosa.

Para os homens, a escala é a seguinte: Quanto menos sexo a mulher praticou na vida, mais forte candidata ao casamento ela é. Uma mulher se incomoda muito menos em ouvir o parceiro falar sobre relacionamentos anteriores do que o homem: Para a maioria dos homens, lembrar que a mulher já esteve nas mãos de outro um dia, é uma verdadeira tortura. Se o cara quer levar o relacionamento a sério, prefere esquecer que não foi o primeiro. Ouvir elogios sobre sua performance sexual é mais do que uma simples massagem ao ego: É a segurança de que, mesmo não sendo o primeiro, é o melhor, e assim pode levar aquele relacionamento adiante, sem medo de se sentir fraco. Com todos esses elogios que funcionam como uma injeção de autoconfiança a virgindade perde toda a importância para aquele indivíduo. (E muitas mulheres fazem esses comentários positivos exaustivamente, sabendo sobre essa conseqüência deles ou até mesmo involuntariamente, com o mesmo propósito: deixar claro que mesmo não sendo o primeiro e único, ele é o melhor)

Já para as mulheres, o que sempre esteve por trás da virgindade foi apenas a própria cultura, a necessidade de se casar, afinal de contas, ''solteironas'' e ''desonradas'' eram mal vistas pela sociedade, e queiramos ou não, a vida é em sociedade. Os prazeres do sexo eram sacrificados em prol do bem-estar social. Uma explícita troca.

Tudo isso explica diversas estatísticas, como por exemplo, o porquê de a maioria dos crimes passionais serem praticados por homens, e o motivo de os homens estarem cada vez proferindo frases como: “Está difícil arrumar mulher pra casar hoje em dia’’. Agora as mulheres estão mais independentes, e têm um acesso muito mais prático ao sexo casional, e até mesmo virtual. Ser “O único e melhor da vida dela” é cada vez mais, uma verdadeira utopia.

Os homens plantaram essa cultura possessiva, e sofrem as conseqüências dela: Inúmeras mulheres, até hoje, trazem esses conceitos ou essências deles, e muitas vezes, são muito mais inibidas do que deveriam com relação ao sexo em vários aspectos: Sentem medo de variar de parceiro para não correrem risco de ficarem mal faladas perante pessoas que insistem em valorizar essa cultura. Também se entregam de forma mais limitada aos seus próprios desejos.
A vida acaba passando, e todo mundo perde.
Os homens que reclamam das mulheres ''frias'' talvez não percebam que a culpa disso tudo é deles próprios, e essas mulheres, por sua vez, não percebem que só são assim por culpa do sexo oposto, e muitas continuam alimentando a possessividade insegura dos homens, infelizmente.

Felizes são aquelas mulheres que já esqueceram tais valores e priorizam as suas vontades antes de qualquer coisa, e aqueles homens que já amadureceram com o passar dos séculos, descobrindo que a divergência é a grande graça da vida.